11/17/09

outro de bancários...

outro texto para o site dos bancários... ele tem uma versão melhorzinha, mas não acho que vou conseguir recuperar:

Os jornalões podem até não gostar de falar sobre o Estado das Araucárias, se limitando a Rio, São Paulo e, quando muito, Minas, em suas notícias. Caso pior é o do Nordeste, que costuma ser tratado como um único estado, mais distante da realidade, impossível. Por outro lado, um leitor mais atento pode verificar como o Paraná é muito importante para todo o Brasil. Exemplo claro foi, justamente, a 11ª Conferencia Nacional. E era gente de tudo o que é jeito e lugar do estado. Por exemplo, tem o Ademir Vidolin, da secretaria jurídica do Sindicato de Curitiba e Região, que já está em sua terceira conferência nacional. Para ele, uma das coisas mais importantes é poder atualizar o que vem sendo reivindicado. Afinal, os tempos mudam e o banco de hoje, não é como o de bem pouco tempo atrás. Alguns percebem a mudança do tempo na própria conferência. Luiz Carlos Liss, diretor de esportes do Sindicato de Guarapuava e Região, é um desses. Antes, o encontro era separado por bancos. Muito mais complicado de reunir as opiniões. Agora, havendo a separação por tema, ele, que participou da mesa de saúde, se sente com muito mais informações para trabalhar em sua base. Nas palavras dele: “muito melhor”. Outros, não viram nisso tanta mudança assim. O presidente do Sindicato de Londrina e Região, Vanderley Crivellari, pensa que não houve uma mudança tão grande em ser por tema. Ele, que participa pela sexta vez, acredita que está, justamente, na hora de mudar algumas coisas. Mas que o mais importante é que a conferência é um lugar onde todo o Brasil acorda uma meta única a ser perseguida. Que é desse esforço de união que a campanha ganha força. Envolvimento Se fosse apenas presença e voto, a participação dos ilustres paranaenses já estaria de bom tamanho. Estavam, eles, ali para representar o que os trabalhadores bancários de sua região queriam e pronto. Mas isso tudo é muito pouco para eles. O secretário de imprensa e comunicação da FETEC-CUT-PR, José Altair Monteiro Sampaio, por exemplo. Coordenou a mesa de previdência e, ainda, deu suas palhinhas para melhorar a minuta. Foram, no caso dele, duas sugestões apresentadas e aprovadas na Conferência Estadual, e respaldadas na Conferência Nacional. O presidente do Sindicato de Curitiba e Região, Otávio Dias, também ajudou em uma mesa. Estava lá, firme e forte para colocar ordem durante a apresentação da pesquisa nacional. Esforço homérico, diga-se de passagem. É que sindicalista gosta de dar uma opinião sobre qualquer assunto. E haja controle de tempo para repetir, para praticamente todas as falas: “resta um minuto”. O velho conhecido do movimento sindical, Roberto Von der Osten, que está agora na CONTRAF-CUT, encarou duas mesas. Uma, bem complicada, Emprego e Remuneração. Quanta coisa teve que ser votada na plenária por falta de acordo. Depois, como que para descansar um pouco, ajudou na votação geral sobre Segurança Bancária. Só uns três ou quatro probleminhas. Nada de mais. Não liberados O pessoal do Paraná se preocupou ainda com outra questão. Preparar mais gente para dar prosseguimento nas discussões e, logicamente, na luta. José Carlos Vieira de Jesus e Thaisa Botogoski. Ambos não liberados pelo banco HSBC, dirigentes de base em Curitiba e Região. Para o movimento sindical, foi muito importante a participação dos dois, porque é uma forma de fazer com que as informações e decisões fossem levadas diretamente para os trabalhadores bancários. Ele veio para a sua segunda conferência quase por acaso. Era suplente e surgiu uma vaga. Ela estava mesmo na sua primeira conferência. Sentados sempre nas primeiras fileiras, os dois não desgrudavam o olho do que era apresentado. Exceto por um eventual cafezinho, ida ao banheiro ou um raro cigarro. Mas isso não é por serem novos no movimento. É porque ninguém é de ferro mesmo. Thaisa era uma felicidade só. Ela fala que é porque se identifica muito com o movimento. O mais importante para ela foi apreender como as reivindicações são construídas. De como acontece a transformação da elucubração teórica em um artigo novo na minuta. De como as diferenças são resolvidas da forma mais democrática possível. “Se gostei? Não vejo o a hora de voltar!”. José Carlos é um dos que vê mudanças positivas na Conferência. Pelo menos do último ano para este. Sentiu que o debate por eixos tornou a discussão muito mais produtiva. Ele, que participou da mesa de Previdência Complementar, achou extremamente importante para poder levar suas reivindicações para o HSBC que, em sua opinião, não possui um programa eficiente. Esses dois enfrentam um grande desafio todos os dias. Conciliar o trabalho no dia a dia do banco com a vocação sindical. Curiosamente, os dois definiram como: “correria”. E é na hora do almoço, fim do expediente, entre um cafezinho e outro, no papo de corredor que fazem o trabalho sindical. Qualquer um pode pensar que é loucura. Afinal, não se ganha nada a mais para isso. Mas o sorriso no rosto dos dois não mente: lutar pelo trabalhador é, sim, uma grande recompensa. Luiz Gustavo Vilela – Jornalista FETEC-CUT-PR

10/19/09

memórias da luta

texto que fiz para a revista dos bancários. até que achei bacaninha, mesmo com um tema tão árido...

Bancário que conhece seu passado é bancário forte!

Em 1933 o Paraná comemorava 80 anos de sua emancipação de São Paulo. O mundo estava perto de conhecer o horror nazista e Karl Marx publicava postumamente seu “A Ideologia Alemã”. 1933 também foi o ano em que os trabalhadores bancários saíram às ruas para validar sua primeira grande conquista: a jornada de trabalho de seis horas.

Até esse momento, os bancários das zonas urbanas eram obrigados a trabalhar de 7 e 30 até 18 e 30. Na zona rural era pior ainda: de 7 até 19. Os trabalhadores ficavam dentro de cofres esse tempo todo e lidavam com um dos objetos mais sujos da modernidade. O dinheiro. Esses dois fatores tornaram a categoria vítima fácil para a tuberculose e para a neurose. A primeira conquista dos trabalhadores bancários foi uma medida necessária para preservar a sua saúde.

Mas muito foi trabalhado até que esse longínquo 1933 chegasse. Mais ainda se trabalhou depois. Ao longo dos anos, através de duras lutas, a categoria bancária conquistou sua Convenção Coletiva, considerada por muitos como uma das mais avançadas do país, contando com mais de 50 cláusulas. “Os trabalhadores bancários têm uma trajetória de luta muito interessante e, não é por acaso, que foi conquistada a Convenção Coletiva de Trabalho Nacional, ou seja, o piso do bancário é o mesmo de Norte a Sul do país”, diz Elias Hennemann Jordão, Presidente da FETEC-CUT-PR e trabalhador no Bradesco, ressaltando uma das tantas qualidades do documento trabalhista.

História de conquistas

O que é alardeado pelos bancos como benefício dado ao trabalhador é fruto de anos de luta sindical. O auxílio-creche, por exemplo, só foi conquistado com uma greve em 1981. Mas, ainda assim, apenas para crianças de até 70 meses de idade. Em 1992, com outra greve, foi ampliado para 83 meses. Auxílio-refeição e vale-alimentação são conquistas das campanhas de 1990 e 1994, respectivamente.

13ª cesta-alimentação é uma conquista da luta de 2007. Nesse mesmo ano os sindicatos negociaram o pagamento de auxílio-educação, pelo menos para os maiores bancos (exceto Bradesco). Isso acontece porque, infelizmente, “quando se trata de negociar com banqueiros a luta precisa ser redobrada, o que é uma incoerência, pois se trata do setor que sempre obtém altos lucros, independente da situação financeira do país ou do mundo”, diz Elias Jordão. “Mais com especulação do que com produção”, completa.

Poder aquisitivo

Durante todos esses anos, o principal foco da luta foi o poder aquisitivo do bancário. De forma direta, com aumentos reais e garantia na participação dos lucros e resultados, ou de forma indireta, com a conquista dos auxílios já citados. Desde 2004, por exemplo, os bancários, graças a mobilização da categoria, vêm recebendo aumento real, ou seja, maior que a inflação.

A Convenção Coletiva da Categoria Bancária pode até ter mais de 50 cláusulas, mas a minuta de reivindicações possui mais de 100. Muito já se caminhou durante todos esses anos, mas muito ainda é preciso caminhar. “É bom lembrar aos bancários mais novos que tudo aquilo que foi conquistado com muita luta e com muita mobilização, somente se manterá também com muita luta e muita mobilização”, diz Elias Jordão.

6/29/09

De engrenagens e bobinas...

Este foi um texto que escrevi para ser encartado no folder para uma exibição do filme "A Máquina", que gosto muito, diga-se de passagem.

O problema de quando se gosta muito de uma coisa é que não rola distanciamento. ah! nunca quis ser jornalista mesmo...


A Máquina, o livro, filme, peça, não trata de engrenagens, fios, placas de metal, circuitos ou bobinas. Não é desse tipo de máquina.

A Máquina, livro, filme, peça, é de máquina-homem e máquina-mulher. Máquina-corpo. Máquina-coração, que bate mais rápido. Máquina-pulmão, que ofega. Máquina-tempo-que-não-é-do-tempo. Máquina-mundo. Máquina-eu. Máquina-você. Máquina-antônio-e-karina. Máquina-amor.

A Máquina, livro, filme, peça, tem haver com tempo. Tem haver com confundir tempo de horas com tempo de chuva. Porque A Máquina, livro, filme, peça, é sobre palavras. E olhe que nem entra nessa bagunça de dizer que ‘no princípio havia o Verbo’.

A Máquina, livro, filme, peça, é sobre torcer o mundo. A Máquina-mundo. Para funcionar de um jeito bonito de se ver, fazendo o povo todo rir que só vendo com todas essas coisas bobas de amor que a gente morre de vergonha de dizer que sente.

A Máquina, livro, filme, peça, é sobre um menino e uma menina. O menino quer a menina e a menina nem sabe que quer o menino. Mas a menina quer o mundo e o menino, que não é besta nem nada, vai lá buscar o mundo para a menina que isso não é serviço pra moça daquela idade.

A Máquina é livro porque é palavra. A Máquina é peça porque é emoção de verdade. A Máquina é filme porque é imagem.

A Máquina, o livro, o filme e a peça, é tudo isso e se você quiser, pode ser ainda mais.

6/23/09

coerência...

hoje, fazendo a ronda matinal e diária pelos jornais, me deparei com isto.

poxa, fico bem feliz de ver que os caras que fizeram aquela lambança na regulação da minha atividade profissional, conseguem ser igualmente imbecis em relação a outros temas, até mesmo menos complicados.

[tá, eu sei que STJ é uma coisa e STF é outra. mas usou toga e fodeu a vida da moçada... coloco no mesmo balaio...]

6/18/09

top 5...

Ao longo do livro "Alta Fidelidade", do Nick Hornby, ele faz dezenas (sério, dezenas) de top 5 lists. Uma delas é genial:

Cinco primeiros grupos ou músicos que terão que ser fuzilados quando a revolução musical chegar:

1) Simple Minds
2) Michael Bolton
3) U2
4) Bryan Adams
5) Genesis

Resolvi montar a versão brazuca:

Lista dos cinco primeiros grupos que deverão ser esquartejados e seus corpos exibidos em praça pública quando a revolução musical chegar, no Brasil:

- Lulu Santos
- Djavan
- Carlinhos Brown
- Gilberto Gil
- Marcelo D2

6/14/09

virtualidade...

mudar o seu perfil no orkut não muda quem você é...

5/22/09

Ressaca...

Esse texto é para o folder do projeto "Segunda tem Cinema". Mais detalhes aqui: http://hojetemcinema.wordpress.com/

[o texto abaixo está no folder distribuído durante a apresentação]

Estar de ressaca, em muitos sentidos, quer dizer que aproveitamos uma grande euforia por alguns instantes e, depois, temos que lidar com as consequências desses atos. Significa ter planos e adiá-los até o ponto em que sua não realização nos atinge como uma bala de canhão. Significa acreditar em seu próprio potencial, mas não realizar nada de verdade por medo de que a única coisa real seja sua própria fé nesse potencial.

Tanto o filme quanto o livro Alta Fidelidade (High Fidelity, de 2000, o filme, dirigido por Stephen Frears, o livro escrito por Nick Hornby) falam de chegar a um ponto da sua vida e não ter realizado nada de concreto. E isso gera uma imensa ressaca. Não por acaso o herói da história está, em geral, em casa reorganizando seus discos, na loja em que possui e passa o dia afugentando clientes com gosto musical ruim ou em um típico pub inglês.

Mas, afinal, acabar com a ressaca significa, necessariamente, amadurecer?

Muito da força da história está em não querer responder essa pergunta. Mesmo com algumas pequenas mudanças estruturais do livro para o filme, Rob (Gordon ou Fleming, a gosto do freguês) dá alguns passos tímidos em relação a assumir seu relacionamento, a expandir os negócios, mas, felizmente, não temos aqui aquele momento catártico típico das produções que vão direto para a Sessão da Tarde. Rob, pelo menos no que concerne a esse humilde jornalista, toma uma atitude em relação a sua vida não por ter colocado tudo em perspectiva e descoberto o quanto ele foi mal com as outras pessoas.

Ele dá tímidos passos a frente simplesmente porque está cansado de ouvir de seus pais, de sua [ex-] namorada e de seus amigos o quanto ele poderia ser e não é. Não existe iluminação nem nada do gênero. Só um homem que não entende muito bem em que errou no passado, se é que errou.

Alta Fidelidade (nome que funciona muito bem nas duas línguas) diz respeito tanto à loja e a coleção de discos (além, claro, da obsessão com música, que acaba permeando todo o filme), quanto de se manter fiel a si e a seus próprios sonhos. E isso, meus amigos, é muito mais real do que a maior parte das histórias que estamos acostumados a ouvir e ver.

[Texto escrito ao som do último ábum da banda Móveis Coloniais de Acaju, C_mpl_te, baixado legalmente no site da Trama Virtual]